O Quadro SOS Mulher aborda os desafios do autismo em Mulheres

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Apresentadora Ale Moura ao lado de psicóloga Karina Moura em edição do SOS Mulher
Apresentadora Ale Moura ao lado de psicóloga Karina Moura em edição do SOS Mulher

Na edição do dia 9/08, o programa Sempre Elas com Alê Moura, se debruçou sobre um tema que ainda carrega muitos estigmas e desinformação: o autismo sob a perspectiva feminina. Em uma conversa descontraída , o bate-papo trouxe o olhar da ciência para o tema.

Na primeira parte do programa , a apresentadora Alê Moura recebeu a psicóloga Karina Moura, especialista em autismo e mãe atípica, termo que define as mães de crianças e adultos com necessidades especiais. A psicóloga encontrou na sua própria jornada familiar a motivação para se especializar na área em 2020, e hoje é coautora do livro “Autismo, uma maneira diferente de ser”, obra que apresenta a psicoeducação para pais e cuidadores.

Psicóloga Karina Morais explica em entrevista sobre o objetivo do livro Autismo: Uma maneira diferente de ser.
Psicóloga Karina Morais explica em entrevista sobre o objetivo do livro Autismo: Uma maneira diferente de ser.

Durante a entrevista, a psicóloga destacou como o diagnóstico do transtorno do espectro autista (TEA) em mulheres ainda é frequentemente negligenciado. Isso acontece porque, culturalmente, as meninas e mulheres aprendem a “camuflar” os seus sintomas para se encaixar socialmente, o que acarreta em diagnósticos tardios e um enorme desgaste emocional ao longo da vida.

Karina explica que devido às expectativas irreais traçadas para as mulheres neuro divergentes se encaixarem na sociedade, muitas delas desenvolvem a síndrome de burnout, síndrome emocional causada pela exaustão mental ligada ao trabalho excessivo.

Para a especialista , a importância do acolhimento psicológico é  uma ferramenta essencial para que essas mulheres possam compreender e se reconhecer sem culpa e viver uma vida mais prazerosa . Por fim,  ela  destaca a importância das mulheres  desenvolverem a habilidade de impor limites nas suas relações interpessoais.

A especialista Luciana Menezes afirma em entrevista que divulgar as técnicas de neuromodulação é para além do profissional, é um propósito para levar qualidade de vida a mais pessoas.
A especialista Luciana Menezes afirma em entrevista que divulgar as técnicas de neuromodulação é para além do profissional, é um propósito para levar qualidade de vida a mais pessoas.

Na segunda parte do quadro SOS Mulher , Alê Moura contou com a participação da Luciana Menezes , neurocientista e neuropsicopedagoga,  que trouxe uma abordagem tecnológica e inovadora para o tratamento de pessoas do espectro autista (TEA) . Em sua fala, ela detalhou como funcionam as técnicas de neuromodulação, um conjunto de intervenções não invasivas que estimulam áreas específicas do cérebro para melhorar funções cognitivas, a regulação emocional e as respostas sensoriais.

Segundo a especialista, quando essas tecnologias são aliadas a um acompanhamento multidisciplinar, os resultados podem ser transformadores. A neuromodulação atua regulando regiões do cérebro, diminuindo a hiperatividade e, assim, reduzindo crises de ansiedade, insônia e sobrecarga sensorial. O resultado reflete diretamente na qualidade de vida e até na facilidade para a socialização, devolvendo a essas mulheres uma nova perspectiva de autonomia e bem-estar.

Ela também explicou para os telespectadores o funcionamento do sistema nervoso autônomo, dividido entre o simpático, responsável pelo estado de “luta ou fuga” e o parassimpático, ligado ao repouso e à calma. Ela alertou que, na rotina atual, as pessoas ativam o simpático em situações não benéficas à saúde por estímulos que não representam perigo real, como reuniões ou situações de estresse no dia a dia. Esse desequilíbrio crônico, segundo ela, gera inflamação sistêmica e, ao longo dos anos, abre portas para doenças crônicas.

Para a neurocientista a aliada para reverter esse quadro é a ativação do nervo vago, responsável por comandar as funções automáticas do corpo, como os batimentos cardíacos, pulmões e estômago , que estimula o parassimpático e traz o indivíduo de volta ao presente e à tranquilidade. Ela ressaltou que a frequência é essencial para a neuroplasticidade, “capacidade do cérebro  de se adaptar e criar novas conexões”, comparando o processo ao aprendizado de andar de bicicleta , “ninguém aprende da noite para o dia, mas, com treino contínuo, o sistema automatiza a resposta e os benefícios se mantêm, afirma a especialista.

Ao final do quadro, Alê Moura agradeceu a presença da entrevistada e frisou a importância de divulgar e esclarecer sobre um tema atual e de extrema importância

Colunista Ana Luiza Duarte