Governo do Rio encerra benefício fiscal da Refit após suspeitas de fraude bilionária

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Decisão da Secretaria de Fazenda pode representar um marco no combate à sonegação fiscal no estado

O Governo do Estado do Rio de Janeiro determinou o fim do benefício fiscal concedido à Refit, antiga Refinaria de Manguinhos, após investigações apontarem possíveis irregularidades na utilização do incentivo tributário. Segundo órgãos de fiscalização, o mecanismo teria sido utilizado em um esquema que pode ter causado prejuízos bilionários aos cofres públicos ao longo dos últimos anos.

A medida revoga o direito da empresa ao diferimento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) nas operações de importação de combustíveis. Na prática, o benefício permitia o adiamento do pagamento do tributo para uma etapa posterior da cadeia de comercialização.

Suspeitas de irregularidades

De acordo com as investigações, a empresa importaria combustíveis praticamente finalizados, mas os classificaria como matéria-prima destinada ao refino. A partir dessa caracterização, as cargas passariam por procedimentos considerados insuficientes para caracterizar efetivamente uma atividade industrial de refino, permitindo o enquadramento no regime tributário favorecido.

Auditores e investigadores suspeitam que a estrutura operacional teria sido utilizada para evitar o recolhimento do imposto no momento da entrada dos produtos no país.

Impactos no mercado

As apurações indicam ainda que o imposto diferido deveria ser recolhido posteriormente, quando da comercialização dos combustíveis. Entretanto, segundo os órgãos responsáveis pela investigação, haveria indícios de que parte significativa desses valores não teria sido efetivamente paga.

Essa situação teria proporcionado à empresa uma vantagem competitiva relevante em relação a concorrentes que operavam dentro das regras fiscais convencionais, impactando a concorrência e o equilíbrio do mercado de combustíveis no estado.

Revisão do enquadramento

A Secretaria Estadual de Fazenda informou que já comunicou ao Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) o desenquadramento da empresa do regime especial. A decisão foi tomada após análise técnica que identificou inconsistências na documentação utilizada para justificar a manutenção do benefício fiscal.

Com a revogação do incentivo, o próximo passo será a realização de auditorias para apurar a extensão das possíveis irregularidades e verificar eventual utilização indevida do regime tributário. Caso sejam confirmadas infrações, a empresa poderá ser alvo de autuações e sanções administrativas.

Bastidores políticos

A decisão também reacende discussões sobre os desdobramentos políticos envolvendo a fiscalização de grandes devedores do estado. O atual secretário de Fazenda, Guilherme Mercês, já havia ocupado posição de destaque em iniciativas voltadas ao aumento da arrecadação e ao combate à inadimplência fiscal.

Nos bastidores, a medida é vista como um dos movimentos mais significativos da atual gestão na área tributária, sobretudo por atingir uma empresa que há anos esteve no centro de disputas administrativas, jurídicas e políticas relacionadas ao setor de combustíveis.

O caso segue sendo acompanhado por órgãos de controle e autoridades federais, enquanto novas etapas das investigações buscam esclarecer a dimensão dos prejuízos e as responsabilidades dos envolvidos.