A mais recente pesquisa divulgada pelo instituto Genial/Quaest nesta quarta-feira (15) indica que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ainda enfrenta dificuldades para reverter a deterioração na percepção do eleitorado brasileiro.
Os dados mostram avanço na desaprovação, que subiu de 49% no início do ano para 52%, enquanto a aprovação recuou de 47% para 43%. O movimento consolida um cenário de desgaste político e aponta para a persistência de avaliações negativas.
De acordo com o diretor do instituto, Felipe Nunes, o ambiente geral segue desfavorável. A percepção predominante entre os entrevistados é de que as notícias sobre o governo são mais negativas do que positivas, em uma proporção de 48% contra 23%. Esse desequilíbrio contribui para sustentar uma avaliação crítica, mesmo sem mudanças significativas em indicadores objetivos.
A economia permanece como fator central na formação dessa percepção. O percentual de brasileiros que avaliam que a situação econômica piorou passou de 48% para 50%, enquanto apenas 21% afirmam ter observado melhora no último ano. Segundo Nunes, esse cenário reflete uma sensação generalizada de perda do poder de compra.
O aumento dos preços dos alimentos aparece como principal vetor dessa percepção. Em apenas um mês, a parcela de entrevistados que relatam alta nos preços saltou de 59% para 72%, evidenciando impacto direto no orçamento das famílias.
Além disso, o nível de endividamento também exerce pressão sobre a avaliação do governo. O número de brasileiros que afirmam ter dívidas — sejam elas moderadas ou elevadas — cresceu de 65% para 72% desde março do ano passado, ampliando a sensação de restrição financeira.
Medidas recentes adotadas pelo governo ainda não produziram efeitos perceptíveis para a maioria da população. A ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda, por exemplo, alcança cerca de 31% dos brasileiros, mas apenas 17% relatam impacto concreto na renda. O dado sugere que, até o momento, o alcance das políticas não tem se traduzido em melhora significativa na percepção econômica do eleitorado.


