A Polícia Civil investiga uma denúncia de possíveis maus-tratos contra uma criança de 4 anos em uma unidade da rede municipal de ensino de Rio das Ostras, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro. O caso foi registrado na 128ª Delegacia de Polícia e está sendo apurado pelas autoridades.

A criança frequenta a Escola Municipal Maria Rosa Ribeiro Pinheiro, conhecida como Creche Tia Didi. Segundo relato da mãe, Cássia Helena Messias, a menina é autista e possui limitações de comunicação, circunstância que teria dificultado a identificação imediata do que poderia estar acontecendo durante o período escolar.

De acordo com a denúncia apresentada à polícia, a mãe passou a desconfiar da situação após perceber sinais que considerou preocupantes. Diante disso, decidiu colocar um pequeno gravador escondido no laço de cabelo da filha, com o objetivo de registrar os sons e diálogos ocorridos enquanto a criança permanecia na unidade de ensino.

O material obtido foi posteriormente entregue à Polícia Civil e deverá passar por análise durante a investigação.

Profissional da escola é citada na denúncia

Segundo as informações apresentadas pela família, as suspeitas recaem sobre uma profissional responsável pelo acompanhamento da criança na escola. A denúncia aponta que eventuais sinais de agressão teriam ocorrido durante esse atendimento.

O caso foi inicialmente registrado como maus-tratos, com fundamento no artigo 136 do Código Penal. A autoridade policial determinou a realização de exame de corpo de delito na criança e iniciou a coleta de depoimentos.

Tanto a profissional mencionada na denúncia quanto os responsáveis pela menina foram ouvidos pela Polícia Civil. A apuração deverá buscar esclarecer as circunstâncias dos fatos e verificar se houve efetivamente alguma conduta criminosa.

Delegado destaca necessidade de cautela

O delegado Luís Maurício Armond Campos ressaltou que o caso exige uma investigação cuidadosa, especialmente por envolver uma criança pequena e com limitações de comunicação.

A orientação é evitar a exposição da menina e preservar sua integridade enquanto as diligências são realizadas. O conteúdo do áudio apresentado pela família, eventuais documentos, laudos e depoimentos deverão integrar o conjunto de elementos analisados pela polícia.

Até a conclusão das investigações, a responsabilidade criminal de qualquer pessoa citada no procedimento não está estabelecida.

Prefeitura determina apuração

A Prefeitura de Rio das Ostras informou que determinou uma apuração imediata e rigorosa sobre o episódio.

Em nota, o município afirmou que as providências necessárias estão sendo adotadas para garantir a proteção e o acolhimento da criança, além de colaborar com o esclarecimento dos fatos.

O caso também deverá ser acompanhado administrativamente pela Secretaria Municipal de Educação.

Mãe agradece atendimento recebido

Após registrar a ocorrência, Cássia Helena Messias utilizou as redes sociais para agradecer o atendimento recebido durante o processo de formalização da denúncia.

Ela mencionou o apoio de policiais, de servidoras da Secretaria de Educação e do inspetor responsável pelo registro do boletim de ocorrência.

A investigação prossegue na 128ª DP de Rio das Ostras. A expectativa é que a análise do material apresentado, o exame pericial e os depoimentos colhidos contribuam para esclarecer o que ocorreu dentro da unidade escolar.

Por envolver uma criança, a apuração é conduzida com medidas destinadas à preservação de sua identidade, dignidade e integridade.