Por Marcos Soares – Jornalista e Analista Político
O ano de 2026 já começou nos bastidores da política fluminense, e a disputa por uma cadeira na Câmara dos Deputados, em Brasília, deixou de ser apenas projeção futura. Em Macaé, conhecida como a Capital da Energia, o jogo eleitoral está claramente em andamento, com três nomes se movimentando para representar a cidade no cenário nacional: Márcio Rezende, Felício Laterça e Hélio Secco.
Macaé, que historicamente exerce influência econômica no Norte Fluminense por conta da cadeia do petróleo e gás, também busca ampliar seu peso político. A leitura é simples: uma cidade estratégica não pode continuar dependente de interlocutores externos em Brasília.
Márcio Rezende: a força da máquina, discurso liberal e o capital político familiar
Entre os pré-candidatos, Márcio Rezende surge com vantagem clara no ponto de partida. O principal ativo de sua pré-campanha é o apoio direto do irmão, prefeito reeleito de Macaé em 2024 com mais de 85% dos votos válidos, um índice raríssimo na política brasileira contemporânea.
A aposta é objetiva: transferência de votos, algo sempre difícil, mas viável quando se trata de uma liderança local extremamente consolidada. Além disso, Márcio deve disputar a eleição pelo Cidadania, partido comandado no estado justamente pelo prefeito, o que garante estrutura, controle partidário e articulação política.
Outro fator decisivo pesa a favor de Márcio Rezende: capacidade financeira. Em uma cidade como Macaé, onde campanhas exigem alto investimento, seja em comunicação, mobilização ou alianças, esse diferencial pode ser determinante.
Felício Laterça: experiência, discurso conservador e recall eleitoral
Do outro lado está Felício Laterça, nome conhecido do eleitor macaense. Ex-deputado federal e atual suplente, Laterça já ocupou cadeira em Brasília e conhece os caminhos do Congresso Nacional. Esse histórico lhe confere recall eleitoral, algo valioso em disputas altamente competitivas.
No entanto, Felício ainda precisa resolver um ponto crucial: definir sua legenda. Em 2024, disputou a prefeitura de Macaé pelo Partido Progressista (PP), mas ainda não confirmou se permanecerá na sigla para 2026. Em um cenário fragmentado, a escolha do partido pode significar acesso — ou não — a fundo eleitoral, tempo de propaganda e alianças estratégicas.
Sua candidatura tende a dialogar com um eleitorado conservador já consolidado, mas enfrentará o desafio de competir com estruturas mais robustas.
Hélio Secco: o discurso Conservador e o eleitor de direita
Fechando o trio está Hélio Secco, empresário em Macaé, ex-candidato a vice-governador do Rio de Janeiro e nome certo do Partido NOVO. Secco representa o eleitor conservador, identificado com pautas liberais, gestão eficiente e discurso antipolítica tradicional.
Apesar de menor estrutura financeira e partidária quando comparado aos adversários, Hélio Secco aposta em um voto de opinião, especialmente entre eleitores conservadores e liberais que rejeitam alianças pragmáticas e máquinas políticas tradicionais.
Sua permanência no NOVO é praticamente certa, o que traz coerência política, mas também limita o alcance em um sistema eleitoral que privilegia grandes coligações.
Um eleitorado conservador e uma disputa de alto custo
Os números ajudam a entender o pano de fundo dessa disputa. Em 2022, mais de 54% dos votos em Macaé foram destinados à direita, consolidando um perfil majoritariamente conservador do eleitorado. Isso significa que os três pré-candidatos disputarão, em grande medida, fragmentando votos e elevando o nível da competição.
Outro ponto inescapável é o custo da eleição. Em Macaé, vencer exige grupo forte, alianças sólidas e muito dinheiro. Nesse quesito, Márcio Rezende aparece à frente.
Apenas um chegará a Brasília
O cenário aponta para uma disputa dura, marcada por estratégia, estrutura e capacidade de articulação. Apesar de três pré-candidaturas competitivas, a matemática eleitoral é implacável: apenas um nome, no máximo, conseguirá transformar Macaé em representação direta no Congresso Nacional.
Até as eleições, alianças podem mudar, partidos podem ser trocados e estratégias serão ajustadas. Mas uma coisa é certa: Macaé entrou de vez no radar das eleições nacionais, e o eleitor terá papel decisivo em definir quem será a voz da Capital da Energia em Brasília.
Que venham as eleições. A disputa está apenas começando — e vale acompanhar cada movimento.

