
O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), enfrenta um novo desafio político na tentativa de permanecer à frente da Casa em 2027. Dois parlamentares eleitos pelo próprio Amapá, Lucas Barreto (PSD) e Rayssa Furlan (Podemos), sinalizaram que não pretendem apoiar sua recondução ao cargo, aumentando a pressão sobre o atual comandante do Congresso Nacional.
Segundo informações divulgadas pelo portal PlatôBR, na quarta-feira (4), os dois parlamentares já comunicaram a colegas que pretendem acompanhar a oposição na eleição para a presidência do Senado, prevista para 1º de fevereiro de 2027.
A movimentação representa um desgaste político significativo para Alcolumbre, que corre o risco de contar apenas com o próprio voto entre os três representantes do Amapá na próxima legislatura.
Derrota nas urnas se transforma em confronto político em Brasília
A resistência à reeleição de Alcolumbre é resultado de uma rivalidade que ganhou força nas eleições de outubro de 2026.
Lucas Barreto conquistou a reeleição ao Senado, enquanto Rayssa Furlan garantiu seu primeiro mandato parlamentar. Ambos integram um campo político adversário ao grupo de Alcolumbre no Amapá.
A eleição também marcou a derrota de Randolfe Rodrigues (PT), aliado político do atual presidente do Senado, que não conseguiu renovar seu mandato.
Com o fortalecimento nas urnas, Lucas e Rayssa passaram a representar uma nova configuração de forças no estado, ampliando a disputa política para o cenário nacional.
Oposição articula candidatura para impedir continuidade de Alcolumbre
Entre os nomes considerados pelos dois parlamentares estão a senadora Tereza Cristina (PP-MS) e o senador Rogério Marinho (PL-RN), duas lideranças que buscam construir uma alternativa à permanência de Alcolumbre na presidência.
A definição do apoio dependerá das articulações partidárias e da capacidade de cada candidatura reunir votos suficientes para vencer a eleição.
Tereza Cristina já reafirmou publicamente sua intenção de disputar o comando da Casa. Rogério Marinho também participa das negociações para consolidar uma candidatura competitiva.
A disputa promete ser intensa, principalmente diante da reorganização das forças políticas após as eleições gerais e da importância estratégica da presidência do Senado para os próximos dois anos.
Isolamento no próprio estado expõe fragilidade política
Embora Alcolumbre ainda possua capacidade de articulação entre diferentes partidos, a possibilidade de não receber o apoio dos outros dois senadores de seu estado tem um forte significado político.
O cenário demonstra que a influência exercida pelo presidente do Senado em Brasília não se traduz necessariamente em apoio entre as lideranças políticas do Amapá.
A derrota de seu grupo nas eleições estaduais, somada ao posicionamento contrário de Lucas Barreto e Rayssa Furlan, sinaliza uma tentativa dos adversários de reduzir seu espaço político também no Congresso Nacional.
Entretanto, o isolamento dentro da bancada amapaense não significa, por si só, que Alcolumbre esteja derrotado. A escolha do presidente do Senado depende dos votos dos 81 senadores, e as articulações nacionais serão decisivas para o resultado.
Fevereiro de 2027 será decisivo
A eleição para a presidência do Senado está marcada para 1º de fevereiro de 2027 e será realizada por votação secreta entre os parlamentares. Para conquistar o cargo, um candidato precisará reunir a maioria absoluta dos integrantes da Casa, correspondente a 41 votos.
O cenário ainda permanece aberto, com negociações entre partidos, lideranças e grupos políticos que buscam ampliar sua influência sobre a agenda legislativa.
Para Davi Alcolumbre, o desafio será demonstrar que mantém força suficiente para conquistar um novo mandato, apesar da resistência crescente de setores da oposição.
A principal mensagem política vinda do Amapá é clara: os adversários que derrotaram o grupo de Alcolumbre nas urnas agora pretendem impedir sua permanência no comando do Senado.
Resta saber se o movimento ficará restrito à bancada amapaense ou se conseguirá influenciar outros parlamentares e alterar o equilíbrio de forças na disputa pela presidência da Casa.



